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Hiroshima: A grande nuvem atómica
Hiroshima: A grande nuvem atómica


<img src="http://images.comunidades.net/fra/francismundo/bomba_at_mica_hiroshima.jpg" border="0">Os Estados Unidos, com auxílio do Reino Unido e Canadá, projectaram e construíram as bombas sob o nome de código Projeto Manhattan inicialmente para o uso contra a Alemanha Nazista. O primeiro dispositivo nuclear, chamado Gadget, foi testado em Los Alamos, no Novo México, a 16 de Julho de 1945. As bombas de Hiroshima e Nagasaki foram a segunda e terceira a serem detonadas e as únicas que já foram empregadas como armas de destruição em massa.

Hiroshima e Nagasaki não foram as primeiras cidades do Eixo a serem bombardeadas pelas forças Aliadas, nem foi a primeira vez que tais bombardeamentos causaram um grande número de mortes civis e foram (ou, antes, viriam a ser) considerados controversos.

Hiroshima durante a Segunda Guerra Mundial

Na época do seu bombardeamento, Hiroshima era uma cidade de considerável valor industrial. Alguns aquartelamentos militares estavam localizados nas suas imediações, tais como os quartéis-generais da Quinta Divisão e o 2º Quartel General do Exército Geral do Marechal-de-Campo Shunroku Hata, o qual comandou a defesa de todo o sul do Japão. Hiroshima era considerada uma base menor de pouca importância de fornecimentos e de logística para os militares japoneses. A cidade era, com efeito, um centro de comunicações, um ponto de armazenamento, e uma zona de reunião para tropas. Era uma das cidades japonesas deixadas deliberadamente intocadas pelos bombardeamentos estado-unidenses, proporcionando um ambiente perfeito para medir o dano causado pela bomba atómica na luz do dia.

O centro da cidade continha vários edifícios de betão armado e outras estruturas mais ligeiras. A área à volta do centro estava congestionada por um denso aglomerado de oficinas de madeira, construídas entre as casas japonesas. Algumas fábricas de maior dimensão estavam estabelecidas no limite urbano. As casas eram, na sua maioria, de madeira com topos de telha, sendo também de madeira vários dos edifícios fabris. A cidade era assim, no seu todo, extremamente susceptível a danos por fogo.

A população tinha atingido um máximo de mais de 380.000 pessoas no início da guerra, mas antes de agosto de 1945 tinha já começado a diminuir firmemente, devido a uma evacuação sistemática ordenada pelo governo japonês. Na época do ataque, o número de habitantes era de aproximadamente 255.000 pessoas. Este número é baseado no registo populacional que o governo de então utilizava para calcular o número de rações, pelo que as estimativas de trabalhadores e tropas adicionais que entravam na cidade poderão ser para sempre inexatas.

O bombardeamento

Hiroshima foi o alvo principal da primeira missão de ataque nuclear dos E.U.A., a 6 de Agosto de 1945. O B-29 Enola Gay, nome da mãe do piloto, Coronel Paul Tibbets, decolou da base aérea de Tinian no Pacífico Oeste, a aproximadamente 6 horas de voo do Japão.

O dia 6 foi escolhido por ter havido anteriormente alguma formação de nuvens sobre o alvo. Na altura da decolagem, o tempo estava bom e tanto a tripulação como o equipamento funcionaram adequadamente. O capitão da Marinha William Parsons armou a bomba durante o voo, já que esta se encontrava desarmada durante a descolagem para minimizar os riscos. O ataque foi executado de acordo com o planejado até ao menor detalhe, e a bomba de gravidade, uma arma de fissão de tipo balístico com 60 kg de urânio-235, comportou-se precisamente como era esperado.

Cerca de uma hora antes do bombardeamento, a rede japonesa de radar de aviso prévio detectou a aproximação de um avião americano em direção ao sul do Japão. O alerta foi dado e a radiodifusão foi suspensa em várias cidades, entre elas Hiroshima.

O avião aproximou-se da costa a grande altitude. Cerca das 8h, o operador de radar em Hiroshima concluiu que o número de aviões que se aproximavam era muito pequeno — não mais do que três, provavelmente — e o alerta de ataque aéreo foi levantado. Para poupar combustível, os japoneses tinham decidido não interceptar formações aéreas pequenas, as quais presumiam ser, na sua maioria, aviões meteorológicos. Os três aviões em aproximação eram o Enola Gay, The Great Artist (em português, "O Grande Artista") e um terceiro avião sem nome na altura mas que viria a ser mais tarde batizado de Necessary Evil ("Mal Necessário"). O primeiro avião transportava a bomba, o segundo tinha como missão gravar e vigiar toda a missão, e o terceiro foi o avião encarregado de fotografar e filmar a explosão.

No aviso radiodifundido foi dito às populações que talvez fosse aconselhável recolherem aos abrigos antiaéreos caso os B-29 fossem realmente avistados, embora nenhum ataque fosse esperado para além de alguma missão de reconhecimento. Às 8h15min, o Enola Gay largou a bomba nuclear sobre o centro de Hiroshima. Ela explodiu a cerca de 600 metros do solo, com uma explosão de potência equivalente a 13 kton de TNT, matando um número estimado de 70.000 a 80.000 pessoas instantaneamente. Pelo menos 11 prisioneiros de guerra dos E.U.A. morreram também. Os danos infraestruturais estimam-se em 90% de edifícios danificados ou completamente destruídos.

Consequencias Desastrosas

Somente nos 20 primeiros segundos morreram 70 mil pessoas, número que chegaria a 210 mil nas semanas seguintes. Quem foi salvo atribui o fato ao acaso – um passo dado a tempo, uma decisão de entrar em casa. Os sobreviventes não sabiam sequer o que havia atingido a cidade. E por muito tempo não saberiam.

Na época com 10 anos, Takashi Yamamoto viveu o drama de perder tudo o que tinha: “Havia uma enorme nuvem de cogumelo no ar. Eu não esquecerei o que aconteceu hoje. Perdi minha casa, meus amigos, meu pai e meu irmão. Perdi minha cidade”.

 

-Sem socorro

Aterrorizadas com a explosão, as pessoas correram para os hospitais semidestruídos onde o único tratamento possível era tentar fazer parar o sangramento. A explosão acabou com 18 hospitais e 32 postos de pronto-socorro. Entre os médicos, 90% foram mortos ou


-Na memória e na pele

Raios de calor entre 3 mil a 4 mil graus Celsius provocaram queimaduras e ferimentos internos nas pessoas, fora incêndios que se espalharam por quilômetros. As queimaduras fizeram a pele cair em tiras deixando à vista a carne sangrenta. Muitos tiveram vontade de pular no Rio Ota, que cruza a cidade, para aliviar o calor, como Futaba Kitayama, com 33 anos na época. Ela estava a 1,7 quilômetro do centro da explosão:

– Centenas de pessoas estavam se contorcendo na correnteza. Elas levantavam as mãos para o alto enquanto corriam para o rio. Eu senti a mesma necessidade porque sentia dor em todo o meu corpo, exposto a uma onda de calor que queimou minhas calças. Estava para pular na água quando lembrei que não sabia nadar.

Os raios térmicos emitidos pela bomba reproduziram nas costas desta mulher o desenho do quimono que ela usava na hora da explosão.

-Herança maldita

Nêutrons e raios gamas lançados pela reação química que a explosão liberou destruíram células humanas. Partículas também atingiram o solo e a água Uma chuva preta, oleosa e pesada caiu ao longo do dia. Ela continha grande quantidade de poeira radioativa, contaminando áreas mais distantes do centro da explosão

Exposta a tantos fatores de risco, a maioria dos sobreviventes sofreu seqüelas para sempre. Além de deformações físicas permanentes (foto acima), moléstias de longo prazo, como o câncer, assolaram os moradores de Hiroshima e provocaram perda de cabelo (foto abaixo).

Até hoje, os sobreviventes sofrem com os males da bomba. Atualmente com 82 anos, Masakazu Saito estava a 1,6 quilômetro do centro da explosão. Apesar de ter visto cerca de 200 amigos, parentes e conhecidos morrerem de câncer, ele não foi vítima da doença.

No entanto, ainda sente dores. “Ainda tenho pedaços de vidro incrustados no meu corpo. Quando o tempo muda, fico ruim. Tenho náusea, dor de cabeça e fadiga”, queixa-se. Ele mora hoje nos Estados Unidos.

 

Sobrevivência de algumas estruturas

Alguns dos edifícios de concreto armado reforçado de Hiroshima foram construídos tendo em mente o perigo, sempre presente, de terramotos (ou terremotos), pelo que, muito embora estivessem localizados no centro da cidade, a sua hiperestrutura não colapsou. Como a bomba detonou no ar, a onda de choque foi orientada mais na vertical (de cima para baixo) do que na horizontal, fator largamente responsável pela sobrevivência do que é hoje conhecido por "Cúpula Genbaku", ou "Cúpula da Bomba Atómica", projectada e construída pelo arquiteto checo Jan Letzel, a qual estava a apenas a 150 m do hipocentro da explosão. A ruína foi chamada de Memorial da Paz de Hiroshima e foi tornada Património Mundial pela UNESCO em 1996, decisão que enfrentou objecções por parte dos E.U.A. e da China.