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Origem dos KIBALA (1ª VERSÃO)
Origem dos KIBALA (1ª VERSÃO)

<img src= Quibala ou Čipalá (tchipala) nome original, não se refere simplesmente ao nome de um município da província do Kwanza sul que localiza-se no noroeste de Angola, e sim, a um grupo ou povo (comunidade estável) de origem A-mbundo ou Ki-mbundo. Este grupo que está fixado maioritariamente em quase toda região norte da província, ou seja, a norte do rio Keve, compreendendo os municípios da Kilenda, Porto Amboim, Ebo, Mussende, Amboim, parte de Waku kungo e Libolo, constituindo assim o território a-Čipalá, tem origem no Pungo-a-Ndongo, sul da província de Malange antigo reino de Kasange e Ndongo.

 

Falam a variante da língua Kimbundo, compartilham os mesmos hábitos e costumes com os povos do Centro e sul de Malanje, Kuanza norte e Kisama. O seu êxodo até fixarem-se na região que hoje é Kwanza sul deu-se por volta do século XVI, liderado por Čipalá kia Samba, homem forte que possuia muitas mulheres, um total de Sete, tinha robustez física com 1,82 de altura; algumas fontes orais confirmam ser o meio irmão de Ngola Kiluanji Kia Ndambi. Apois muitos conflitos com outros grupos e tribos, Kipala Kia Samba e seu povo decidiram deixar as suas terras e cultivos, indo em direcção ao sul atravessando o rio kuanza, onde ao longo do seu percurso foram deixando pequenas comunidades que estes por sua vez foram crescendo, mas respondendo à um só “Ñana Inene”  (Čipalá).

 

<img src=Em detrimento dos ataques que iam sofrendo de outros grupos ao longo da sua caminhada, foram obrigados a procurar um lugar seguro e desenvolver técnicas adequadas de trabalho e de luta para a sua defesa, e, este lugar seria então a zona de Kariango, pois, nela atravessa um rio, hoje situadas a 41 Km da vila da kibala. Mas no mesmo local que preferira, encontrara já os “Marimba” um pequeno grupo que veio do nordeste de Angola, atravessando Malanje. Estes por terem hábitos e costumes iguais aos do povo kibala, foram mantendo um bom relacionamento e formaram uma aliança com vista a se defenderem dos invasores. Os filhos do povo de Čipalá foram casando-se com as filhas dos “Marimba” e vice-versa.

 

Tinham como actividade principal agricultura e a caça. Faziam também a pesca, mas não em grande escala (mesmo até aos dias de hoje). As mulheres estavam mais ligada a agricultura que produzia sobretudo a Mandioca, nhami, ngokó, batata,  e outras plantações inclusive a palmeira de dendém na qual poderiam extrair vinho branco e óleo de palma; e criação de animais domésticos (galinhas, cabritos, ovelhas, etc). A caça era feito pelos homens dos 14 aos 40 anos de idade, caçavam kambuiji e outros tipos de animais ferozes, mas antes mesmo de iniciarem a caça tinhas de fazer oferenda a Deus em nome dos antepassados, ou seja, “Nzambi, mu jina-ria-nzumbi” para que a mesma tivesse sucesso, ao contrário, alguém poderia morrer durante a caça.

 

<img src=Sempre que um homem tomava uma mulher, era aconselhado ir viver num outro ponto do território para terem filhos e formar uma família lá, criando tribos e clãs com o prepósito de expandir o reinado de kipala o “Ñana Inene” e o seu povo. Não há evidência de que este povo era tributário há um determinado reino.

 

Sob liderança de Čipalá kia samba o “Ñana Inene”, os Kibala tornaram-se um povo forte e foram conquistando várias terras a norte do rio Keve, com destaques aquelas que já eram habitadas pelos povos de origem ovimbundo, na qual fizeram prevalecer a sua língua, custumes e hábitos, etc, mas em algumas dessas terras a sua língua passaria a sofrer algumas variações, dando lugar a sub-variantes como “hako” do Wako kungo, “epo” do Hebo, “a-boim” da Gabela e outros. Este período da expansão kibala temporou quase meio século.

 

Até a este período, Kipala Kia samba já era idoso, teve 15 filhos, dos quais seis (06) eram com sua primeira mulher “Nzumba Muriango, muñambo-a-Čipalá” e outros oito seriam com outras mulheres, cujos nomes não foram identificados. Cada filho ía tomando a sua mulher conforme os rituais e a levava já concebida a uma outra terra para formar a sua família. E quando lá chegava batizava o lugar com seu próprio nome, como exemplo, Kijia, Muambeji, kizó, Katofe, Ndala Kaxipó, Kondé, Ngango (Mungango), Munenga, etc, uns atrás dos outros e foram por sua vez se expandindo.

 

Čipalá Kia samba, morre aos 103 ano<img src=s de idade, já no início do século XVII. Não se sabe ao certo o que o matou, mas era muito velho, estava muito fraco e entrou em estado de coma durante uma semana, até
a decisão do concelho dos anciãos para acabar com a sua vida. Todas as tribos do território expandido, vieram a lhe prestar condolência e homenagem e vieram até representantes de outros reinos (Ndongo-Matamba, Kasanje e Viyé). Depois da sua sepultura, o óbito ainda durou um mês.

 

 

A sua mulher “Nzumba Muriango, muñambo-a-Čipalá” por ser a primeira e mãe de muitos filhos era considerada como  “muñambo Inene” (a grande mulher) e depois de morte de seu marido passou a ser chamada de “Nzumba Čipalá”, fazendo papel de rainha. Nove anos depois, aos 98 de idade a “muñambo Inene” veio a falecer também. Algumas fontes orais afirmam que ela sofria de reumatismo e que essa doença pode ter a levada a morte.

 

Pouco ou nada se sabe a<img src=té hoje, quem foi o  sucessor de Čipalá Kia Samba. Mas poucas fontes orais confirmam um dos sobrinho como sucessor, cujo o nome não se conhece. Até hoje em todas a tribos dos Kibala a sucessão é matrilinear, mesmo depois da chegada dos portugueses no seu território em 1796.

Hoje os Kibala representam quase 45% dos habitantes da província do Kwanza Sul, com um número estimado em 785.500,00, as suas comunidades estão bem presentes também em outras regiões da província e do país, como no Sumbe (a), Uku Seles, Konda, Chitué (Cassonge) a sul do rio Keve; em Kisama e Luanda.

 

 

Produção:

Francismundo 2015

Fotos:

Olhares.pt

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josé cordeiro