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OS OVIMBUNDU _ ORIGEM, LÍNGUA E REINOS
OS OVIMBUNDU _ ORIGEM, LÍNGUA E REINOS

 

<img src="http://images.comunidades.net/fra/francismundo/ovimbundu_traders1.jpg" border="0"> A população do planalto central resultou da sobreposição de vários povos que se foram fixando na região.

Inicialmente viviam pastores bantu pertencentes aos grupos ndombenganda, Humbe e Nganguela. A leste do rio cuanza viviam os Mbundu que no seculo XVI foram perturbados pela chegada dos grupos de Imbangala que emigraram da Lunda.

Então muitos clãs mbundu atravessaram o kuanza e vieram fixar-se nas regiões do planalto no século XVII.

Fundiram-se as várias etnias donde resultou uma linguagem comum (umbundu). A tradição oral transmitiu-nos vários mitos sobre a origem destes povos, suas migrações e constituição das suas unidades políticas, que se foi processando ao longo dos séculos XVII e XVIII.

O primeiro reino a formar-se no inicio do século XVII parece ter sido o Huambo,  fundado por Wambu-Kalunga segundo a tradição. Depois se constituíram os reinos de Tchiaca ,NGalangue, Tchingolo,Ndulu, Bailundo, Viye, etc.

Muitas das famílias que governaram estes estados eram de origem Lunda; por exemplo, o grupo Tchiaca reconhece ainda hoje a região de cassanje como aquela onde se localizam os túmulos dos seu antepassados.

 

  • A produção

A região do planalto tinha muitos habitantes. O principal tralho das mulheres era a agricultura, como noas outros povos já estudados.

Cultivavam especialmente o massango (painço) e a massambala (sorgo),  abobora, feijão e a partir do século XVII começaram a propagar-se espécies de origem americana como o milho, a mandioca e a batata-doce.

Enquanto na época da chuva, eram semeiados os cereiais em campos elevados, na época seca, faziam a cultura de vegetais junto dos rios (a onaka) a partir de Agosto.

 

A alimentação era ainda completada com produto da criação de gados e pequenos animais domésticos. 

Embora dispondo de alimentos variados e abundantes os Ovimbundos continuavam a praticar a caça e também  a pesca. Havia comunidades especializadas de pescadores junto do Cunene, Cuanza e outros rios, usando técnicas variadas.

Apesar de haver caçadas anuais coletivas, onde participavam homens, mulheres e crianças, recorrendo a queimadas, a caça era atributo do homem.

O Ocongo era o caçador qualificado por uma longa prática, acompanhada de rituais mágicos de caça o arco,as flexas e as armadilhas eram os seus estrumentos.

Nas caçadas coletiva, no dia marcado pelos chefes da aldeia formavam-se círculos de pessoas que monidas de lança e cetas atingiam os animais que fugiam da queimada.

-Era ainda importantes as colheitas do mel fabricado em colmeias cilíndricas colocadas no cimo das árvores.

O artesanato estava então já bastante desenvolvida: fabricavam instrumentos de ferro para a agricultura e a caça__ machados, laminas e deixado, pontas de lança, adornos.

A cerâmica era traduzida pelas mulheres e destinadas a guardar água, cereal, feijões; era utilizada pra a cozinha e para fabricar bebidas fermentadas. A festaria era igualmente tarefa de mulher, enquanto o fabrico de esteira competia aos homens, assim como a curtimenta de peles e o talhe de madeira com que faziam vários objetos de uso diário, canoas, instrumentos musicais, etc.

Propriedades as terras eram propriedade da comunidade e eram atribuídas as várias famílias conforme as sua necessidades. Em geral, depois utilizada durante a 6 anos a terra voltava para a comunidade para um pousio de cerca de 20 a 30 nas condições ecológicas do planalto este período permite a recuperação completa da fertilidade do solo quando as terras mais próximas da aldeia estavam esgotadas, mandavam-se toda a população para outra região. O local da aldeia abandonada podia tornar-se uma lavra___ elunda ___ e muito fértil devido a concentração de restos orgânicos. Havia ainda lavras coletivas cultivadas pelas mulheres e cujo produto era confiado à guarda do chefe clã (o songo). os rios e as matas eram igualmente propriedade coletiva. Contudo os instrumentos de trabalho para a agricultura, a caça ou a pesca eram privados.

O produto do trabalho era pertença da família e dentro dela se fazia a sua distribuição.

 

  • Organização Social

A família polegénica era, como na maioria dos povos agricultores bantu, a base da estrutura social. Correspondendo a função produtiva de cada um, também a propriedade e distribuição dos bens materiais era dividida entre os sexos. Assim, pertencia á mulher indicar quais dos seus produtos podiam ser gastos na manutenção familiar, quais deviam ser armazenados, e quais os produtos excedentes que podiam ser utilizados pelo homem para a permuta.

Ao homem cabia a distribuição de carne, das peles e a distribuição dos produtos de troca pelos elementos de família.

O homem era o representante de suas famílias perante as outras familias do clã.

O Osongo abragia todas as famílias de ascendência comum. O chefe do  Osongo não tinha de ser  o mais velho, mas em regra a função cabia a um dos m<img src="http://images.comunidades.net/fra/francismundo/Angola_Bailundo942.jpg" border="0">ais velhos e experientes. A sua escolha era feita por eleição dos vario chefes de família, assim como a sua destituição. Desempenhava a função de juiz, repartia as terras, velava pela manutenção dos incapazes para o trabalho, pelo produto das lavras coletivas e fazia cumprir as leis do grupo originada da necessidade e sancionada pela tradição.

O simbolo do clã e local de reunião dos homens era o Onjango, a casa onde reunia o conselho dos homens do clã. 

A união de vários clãs que ocupavam certo território era designada Ovemba (tribo) que tinha um chefe ____ o Osoma. Por sucessão matriliniar necessitavam da confirmação dos Olosongo para entrar na posse dos direitos ou deveres do seu cargo. O osoma distribui terras e zonas de caça aos clãs, atribuía obrigações em tempo de guerra, fixava os impostos e outras tarefas entre os clãs.

Vemos que no seculo XVIIII havia nos estados do planalto um grupo dominante constituído por chefes que dirigiam a vários níveis a vida das comunidades, embora muito controlado por elas. Desse modo o povo impedia que um poder excessivo fosse exercido pelos Olosoma.

A maioria do povo era constituída por camponeses, alguns artesãos e comerciantes. Finalmente havia os escravos. Eram presas de guerra integrados na família a quem pertenciam. Os escravos do Osoma podiam chegar no entanto a exercer funções militares (Kessongo) como acontecia no Bailundo.

 

  • O comércio

Uma agricultura rica e um artesanato muito variado permitiriam o aparecimento de trocas. Cada região detinha certa produção excedentária que trocavam com outra. O ferro extraido ao Ndulu era trabalhado no Bailundu e trocado por óleo de palma do Seles e Casonji.

A cera de Tchicuma, o gado de Caequembe e Tchicomba, os cereais do Bailundu Tchiaca e Tchivula, eram trocados também por sal vindo do Kissama.

A medida que a  colonia de Angola estendeu o seu domínio no seculo XVII, os estados do planalto estableceram contactos com o litoral através dos pombeiros que então já percorriam vastas regiões do enterior, vindos de pungo-a-Ndongo, através do libolo,ou mais frequentemente de Benguela através de caconda. Nesta região, desde os fins do seculo XVII, tinham-se fixado muitos pombeiros que penetravam no planalto em busca de escravos e cera, por vezes acompanhados de grupo armados.

<img src="http://images.comunidades.net/fra/francismundo/Hc4_crop7.png" border="0">Alem de Caconda, Quilengues (Tchilengue) tornou-se um ponto de passagem muito frequentado pelas caravanas que se dirigiam de Benguela á Huila e ao Tchipungo assim como pelas forças militares de agressão ao planalto, apartir de meiado do seculo XVIII.

Alguns reinos utilizaram o comércio a longa distância em seu proveito, tornando-se entermediarios (como acontecia mais ao norte com Kassanje), organizando razias nas regiões limítrofes e caravanas que percorriam centenas de quilómetros.

No fim do seculo XVIII, comerciantes do viye (Bie) e sertanejos portugueses residentes no planalto, tinham atingido nas suas regiões habitada pelos Baluvale, junto alto Zambeze.

Os produtos que a colónia mais interessavam eram, como se viu, os escravos, o marfim e a cera. Os escravos eram capturados nas guerras que os estados do planalto moviam contra os nganguelas, Tchokue, etc. durante elas, a caça ao elefante fornecia o marfim necessário.

Para obter os produtos europeus, a aguardente( giribita ) e o sal dos pombeiros fizeram os ovimbundu acordos comerciais, e organizaram caravanas. Partindo do Bie e Bailundu para leste, obtinham os produtos que depois transportavam para o litoral atlântico na viagem de regresso na Catumbela realizavam a troca, regressando de novo ao planalto.

Desse modo chegaram a contactar com os comerciantes arabes do litoral indico. O Bie realizou acordos de comercio com imperio lunda e macocolos do alto Zambeze.

 

  • Organização politica

No seculo XVII começaram a constituir-se estados que resultava da união de vários tribos (Olovemba) sobre a autoridade do mesmo rei, nem sempre originário da região.

O maior dos reinos __ o Bailundo___ estava dividudo em 200 provincias de extensão muito variável ----- chegando algumas a ter centenas de ideias. 

Os chefes de algumas províncias podiam ser nomeiados pelo rei, mas noutras, havia famílias que transmitiam o poder hereditariamente. A própria família real colocava os seus membros na direção de algumas províncias. Relativamente aos tributos, as províncias contribuíam de forma muito variável.

O governo central de cada um dos estados era composto pelo rei, a rainha, e uns tantos velhos que se reuniam num conselho (Olusenje) para tratar de questões administrativas e judiciais. Este conselho tinha grande poder político porque elegia os reis dentro da linhagem real e podia depor os eram indesejáveis. Alguns aristocratas tinham funções rituais, enquanto outros eram administradores ou guerreiros.

Os reis tinham um papel religioso muito importante uma vez que os seus antepassados eram considerado responsáveis pela fertilidade do pais. Através de cerimonias no santuario real (kakokoto) o rei, na qualidade de sacerdote, procurava assegurar essa fertilidade e controlar os elementos, isto é, assegurar a regularidade da chuva, evitar os perigos causados por tempestades e fogo.

Deviam ainda representar o seu estado nas relações com outros, especialmente para fazer acordos comerciais e de aliança com outros chefes, ou para fazer guerra e recolher o tributo ou o saque.

Competia-lhes ainda presidir ao tribunal, intervindo apenas em questões especiais. Quando julgavam necessário serviam-se da adivinhação, recorrendo para tal ao adivinho real (citue cossoma) ou outros.

O comércio a longa distância a que se desenvolveu no século XVIII veio alargar as funções do rei, que assim como outros olossongo, mandava organizar caravanas reais para proceder a longas viagens e a captura de escravos.

Na confluência dos rios cunionhamua e Cunene, encontra-se o local chamado Feti, que segundo a tradição foi onde primeiro se fixou população no planalto. Ali se encontrou o túmulo de Feti.

“ foi Feti que começou: donde veio não se sabe. Vendo que não tinha companhia a não ser um cão, andava a cassar e foi ter a uma certa lagoa do rio Cunene e ali ele arranjou as suas mulheres à medida que iam saindo das ondas. As suas mulheres eram Tembo, Civi e Coya. Assim, “Feti waetika, coia woyapo” ,o que quer dizer –  «Feti começou, Coia completou ».

Feti e seu ermao mais velho, Ngalanje, eram caçadores de elefantes e antílopes, e continuaram na sua vida nómada.”

 

  • A aldeia

Um yimbo (aldeia ) podia ter um numero variáveis de famílias; as mais extensas chegavam a ter milhares de habitantes – eram as olombala. O seu centro social era a ocila – terreiro de dança – onde se realizavam as praticas religiosas e judiciais e as reuniões. No onjangu os homens reuniam-se para a refeição da tarde, recebiam as visitas, discutiam o dia de trabalho, enquanto os jovens sentados atrás aprendiam muito sobre os costumes e a história da tribo.

Junto das casas havia pequenas plantações de tabaco, milho e feijão, o celeiro o galinheiro, e o curral.

 

  • As caravanas dos ovimbundos

Um ofumbelo, ou dono da caravana,escolhia o chefe da caravana – handu. Este tinha uma espécie de secretário que devia tratar de todos os assuntos e devia andar sempre em primeiro lugar na caravana.

Esse secretario tinha o nome de kesongo – ele liderava a caravana levando uma bandeira, ou uma cadeira, ou um chifre, ou qualquer outro simbolo. Junto dele havia uma guarda avançada e depois seguiam os carregadores da mercadoria.

Depois destes, alguns carregadores de armas, seguindo-se os carregadores de mercadorias menos valiosa, depois deles, os carregadores de mantimentos da caravana e por fim, vinha o ofumbelo bem armado e o handu.

Acontecia por vezes que as caravanas eram atacadas; em geral os ataques podiam ser evitados mediante negociações e pagamentos de impostos. Ao chegar a uma aldeia, o chefe da caravana presenteava o chefe da região e iniciava logo as negociações.

Em geral as mercadorias eram vendidas em credito, demorando por vezes 15 a 18 meses. Nestas longas viagens os elementos da caravana cultivavam terras ao longo do percurso para poderem alimentar-se. Nas viagens mais pequenas de 2 a 3 meses ate a costa atlântica levavam o mantimento.

 

Recolha: Francisco Jorge; Edição: Aulária Chitunda; Pois-Edição: Aulária Chitunda; Revisão: Francisco Jorge

Fotografias: 1.bp.blogspot.com; spiritosanto.wordpress.comwww.tpissarro.com

Produção: FRANCISMUNDO 2016