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Lúcio Lara e o Seu percuros nacionalista_1ª Parte
Lúcio Lara e o Seu percuros nacionalista_1ª Parte

<img src= Viveu em angola desde miúdo e os seus companheiros de brincadeira, eram crianças de povo trabalhador das fazendas, do povo que sofria uma opressão visível.

Quer o seu pai, era português, quer a sua mãe que era de família mediana, eram agricultores, gente média, não eram de família de muito dinheiro. Ele não era pobre, também não era do mais simples, pois estudou no colégio Henrique Herculano na provincia do Huambo, que era um colégio muito importante para a juventude de seu tempo.  Na altura não era uma pessoa das camadas mais modestas da população, mas tinha sentimentos, vivia injustiças que se faziam contra o povo angolano, com as quais ele não estava de acordo. Isto determinou a sua opção desde mais novo.

No seu tempo de criança não havia noção de independência, pelo menos ele nunca teve essa noção, apenas o teve na universidade pelo que tiveram muita cautela em falar deste assunto. “para não afastarmos os angolanos, a gente falava  em luta contra opressão, só mais tarde é que falamos em independência. Ora, nessa altura, não se falava, nem talves tivessemos consciência, o que nós tinhamos em consciencia era de opressão que o povo simples sofria, e isso era evidente”. No seu tempo de infância, as crianças que não iam para escola eram obrigadas a ir para as missões. “eu lembro-me, por exemplo, no colégio onde estudava havia cinco negros, e eram pessoas já adultas que para nós eram pessoas que tinham chegado ali graças às missões de protestantes e já num nível adulto”.

Os problemas de Opressão erão tão evidentes que ele viu-se obrigado a fazer opção. Portanto nunca teve a minima dúvida em problemas de tal tipo de independência, pois em Angola não se falava disto. Ele e seus contemporâneos tinham a noção de que havia um povo que sofria e que era preciso lutar contra esse sofrimento e pela justiça.

A sua revolução deu-se mais quando deu conta, que até os padres católicos estavam envolvidos e colaborando com injustiça, opressão e divisão racial. “quem me abriu os olhos foi um padre que me deu um enxerto de pacada, que tratava mal os católicos negros na missa e numa sala de aulas, uma vez ele bateu-me de tal maneira, por razões pedagógicas e académicas”. Provavelmente seja por estas questões e outras que fomentou a sua opção pela revolução e consequentemente deixar de ser religioso. “eu, por exemplo, não gosto nada dessas questões da evangelização; Eu acho que isso é um termo complicado… a evangelização significou a submissão do povo negro de Angola, porque os padres que cá havia a maioria parte eram brancos e raros, raríssimos, eram padres angolanos, trabalhavam para o colono, para a colonização, para submissão do negro”.

 

UM FRAGMENTO DE SUA ENTREVISTA

?Senhor Lúcio Lara, a colonização era feita de igual forma, no Norte, no Sul e no centro de Angola ou as populações eram tratadas de forma diferente, tendo em conta as suas características?

            LL - Eu creio que a colonização foi a mesma em toda parte. Mas, claro, o chefe do povo começava por ser ele próprio o interessado financeiro no contrato. Um chefe de posto que arranjasse, por exemplo, 50 contratados numa companhia recebia por cabeça, por contrato…

? Porque é a maioria parte desses contratados eram gente do sul? Porque é que saíram mais homens do sul para as roças de café do que no norte que homem do norte pára outras áreas?

              LL  - Eu creio talvez que havia questões, talvez, de pacificidade, evitar as revoltas. Você vai ao sul esvazia aldeias inteiras, por exemplo – o chefe de posto do Huambo é capaz de esvaziar uma aldeia e mandar aqui para o Uige 50 homens que não lhes vão criar problemas durante dois anos, e ele ganha por cabeça. Essa mesma gente aqui no Uige já punha muitas dificuldades ao irem trabalhar para as roças. Criavam dificuldades, faziam reivindicações e revoltavam-se também….

? No início, no despertar dos sentimentos nacionalistas, houve alguma vez a intenção de alguns grupos lutarem pela libertação de zonas étnicas bem definidas?

             LL   -  … A primeira vez que encontrei isso foi no exterior, encontrei um movimento que se chamava “Alliance des peuple Bazombo”, Aliança dos povos do Bazombo, aliás chamava-se ALIAZO, que deu depois o PDA que fez unidade com a UPA e que fez a FNLA – foi a primeira vez. A segunda vez foi gente de Cabinda, mas eram vários FLEC, vários AREC, eram vários CAUNC. No principio encontrei um certo sentimento regionalista – eu digo assim entre aspas, a certa gente de Cabinda, geralmente, enfeudada ao Congo-Brazzaville ou ao Congo-Leopoldoville.

? Se notarmos bem esses movimentos regionalistas aparecem apenas no norte, como é o caso da UPNA, que queria libertação apenas do norte de Angola, e também a FLEC. Porque é que esses movimentos regionais aparecem apenas no Norte e não Sul?

            LL    - Como é que hoje, que temos não sei quantas dezenas de partidos, você vai ver que a maioria parte deles se situam no norte de Luanda – bom, esse é um estudo sociológico… Por exemplo o povo Kikongo, é um povo muito empreendedor, muito dinâmico. Talvez por isso. E também repare que tudo o que diz respeito a certo período da história de Angola está ligado a história do Congo e muita gente de origem kikongo ainda hoje, aqui, mesmo fala da restauração do reino do congo mesmo aqui dentro…


Conteudo extraido do livro: ANGOLA: DEPOIMENTO PARA A HISTÓRIA RECENTE

fafricanssimo@gmail.com